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Vida de Cã


Merece um post

Esse cara merece um post. Ele se chama Cássio Gava. Pra dar esse CD pro Cão foi uma verdadeira odisséia, tive que ir atrás da própria gravadora, esperar chegar pelo correio e tal.

Depois, anos mais tarde, a gente achou o mesmo disco numa loja de CDs. Por míseros 5 reais. Vou reproduzir a letra de uma música que acho a mais legal do CD - que se chama Rapsódia Paulistana - Um dia em minha solidão. Tem que ouvir, os arranjos instrumentais e vocais são de tirar o chapéu. Veja lá:

Um dia em minha solidão (Cássio Gava)

Manhã de sol no céu
Lustre do chão
Trajeto do meu carro
Do olhar ao horizon'
  Ar, poste, poste, sol
  Poste, farol,
  Menina e gasolina...
  São as linhas de uma mão
Pneus engolem a estrada de ir
Pneus engolem a estrada
E engasgam no engarrafamento atroz
  - Tão atroz quanto um carrasco
  tão carrasco que se engasga
  e que remédio
  - Vomitar!
  Consciência, consciência,
  minha pobre consciência
  como assim, hem?
  - Marcha-à-ré!
E a rua acelera em ficar!
E a rua acelera em ficar!
E a rua acelera em ficar!
E a rua acelera em ficar!
  E no rádio: tempo estável
  Morte de um que não sei
  E no rádio: futebolam
  Outra canção que não vi
E passa praça e paz
Postes de luz
E a rua acelera
Em ficar atrás sem um um um um         mil
  Uma morta na avenida tal
  Vejo eu
  Vê o sol
Multidão
Manhã de sol no céu
Já se acabou
E já é muito tarde
Tarde, tarde pra voltar
                  Tarde da noite
                  Tarde da noite
                  Tarde
            pra quem quer voltar

Ela começa harmoniosa, na voz linda e grave de uma cantora (talvez seja a Tutti Baê), vai ficando alegrinha, festiva, entra até uma cuíca quando no rádio futebolam. Depois ela se torna soturna, fatal. Aí então tem uma parte instrumental, em que eles fazem um resumão da música, e depois ela termina assim, como vou dizer? Realista? Desesperançada? Sei lá, acaba de um jeito que é a cara da grande cidade, que nem sempre oferece todas as saídas.

Outra hora eu coloco outra música que é linda, chama-se "Hora de amar". Chau!



Escrito por Cã às 12h39
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Em dias sem muita inspiração...

... postamos coisas bonitas que outros escreveram. Dou a vez para o Rubem Alves:

"Metáfora é quando se desenha o próprio rosto
com imagens pescadas do mundo"

Ou então:

"O crepúsculo é hora da nostalgia"

Sei lá. Singelo e bonito.

P.S.1: Tempo seco, apesar do toró de ontem, e nariz desgraçadamente seco e entupido. Que saco, nunca tive isso!

P.S.2: Ouvindo Zeca Baleiro e com dor no coração de ter perdido o pocket-show na Fnac ontem...



Escrito por Cã às 10h13
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Em dia

Comprei ontem um cadernão para as minhas notas. Lindão. Delícia, caderno novo, que nem na escola. Já passei a limpo nele as minhas listinhas de coisas a fazer, projetinhos. Legal, me sinto em dia com a minha vida.

Escrito por Cã às 13h17
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Atrapalhadores

No funcionalismo público, para citar o Claudio de Moura Castro, existe uma "dinastia de atrapalhadores". Seu ofício é atrapalhar. Se você quer saber se o hospital pode atender, inventam que a fila de espera é grande. Você responde que OK, está disposta a esperar. O funcionário te pergunta onde você mora. Você responde. E ele te devolve: "Esse seu bairro aí, só na Santa Casa, aqui não atendemos". E você vai embora sem resolver o seu problema. Imagine se fosse por telefone!

P.S.: Achei o Claudio de Moura Castro no meu caderninho de anotações. Uma vez ele escreveu um texto muito legal sobre os americanos, uns americanos que curtiam paraquedismo (ou balonismo, não lembro). Ele os chamou de "voadores da roça". Vou ler mais o cara, será que vale a pena?



Escrito por Cã às 09h32
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O advogado picareta

Era uma sala muito engraçada.
Tinha teto, tinha tudo, tudo até demais.
Tinha caixas e caixas de motocicletas de brinquedo.
Tinha garrafinhas de uísque e licor barato.
Sapateira no banheiro, paletó e gravata no cabide.
Espelho pendurado com cordão.
E cabelo branco tinturado, e retratos variados de uma coroa enxutona.
Tinha mesa e muito papel em cima dela.
Calculadora Facit, máquina de escrever.
E contrato de papelaria para locação de imóveis.
E um palavrório sem fim.

Sabe de uma coisa?
Alugue para outro o seu apartamento.



Escrito por Cã às 21h52
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Henfil foi à China...

...e foi visitar um dos Institutos das Minorias Nacionais, e escreveu uma coisa bonita, ao ver um rapaz da minoria mongol tocando um instrumento mongol:

"Naquele instrumento de cordas ele faz respiração boca a boca e mantém um ser muito frágil: a cultura de uma minoria".



Escrito por Cã às 21h46
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Ôrra, três anos?!

Meu Deus! Lembrei hoje que está fazendo TRÊS anos que eu tive aquele problemão, que meio que saí do ar, por conta de um caminhão de problemas pelos quais estava passando, principalmente as brigas diárias com o Cão. Fazendo aquela limpa no baú, achei uns escritos que eu tinha feito logo antes de ter o lance. Meu, como eu estava sofrendo nessa época.

Anotei uns sonhos muito loucos e confusos; num deles eu descobria que havia um tremendo buraco embaixo da nossa cama. Era tipo um caracol de escadaria de prédio. O buraco era um abismo embaixo da nossa cama. E de repente ele se encheu de roupas usadas, gastas. E aí acabou o sonho. Eu estava sofrendo pra caralho nessa época. Eu e o Cão.

Depois daquela crise no Carnalval de 2002 eu passei por maus bocados. Mas agora, levanto as mãos para o Céu, vou muito bem, obrigada.



Escrito por Cã às 21h39
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Uma bela limpa

Ontem fiz uma coisa que já fazia bem uns dois anos que precisava fazer. Meti as cara no bauzinho de vime que tava lotado de tralha. Joguei fora uns cinco quilos de papel velho e inútil. Que delícia, que alívio. Tem umas coisas que eu guardo mesmo, não tem jeito, mas o ruim é guardar coisa sem saber o que se está guardando.

 

A minha mãe tem muito disso. Na casa dela tem tipo um porão que está precisando de uma limpa dessa há muuuuito tempo (um dia vou ajudar ela a expurgar as coisas). Brigava pra caramba com ela quando era adolescente, querendo ensinar o que era o certo, e veja aí, estava fazendo o mesmo. Então, tratemos de não deixar mais acumular, não é?

 

P.S.: Como é linda a suavidade da voz da Mônica Salmaso...



Escrito por Cã às 12h16
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Olhos molhadinhos

Tem coisas que me deixam de olhos molhados. Falar do meu pai aquele dia em casa, de como ele é carinhoso com a gente, apesar das pisadas que ele dá. A amizade entre o Neruda e o carteiro no filme que revi hoje. A mensagem tão bonita que o Cão me escreveu hoje, depois que ele leu o meu primeiro post. Se emocionar é bem legal.

P. S.: UFF! Depois de muito tentar, CONSEGUI publicar o Blog! Tava tentando o Blogger, mas não deu.

P. S.: Mônica Salmaso no dial hoje.



Escrito por Cã às 16h51
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P.S.s

P.S.1: Ed Motta no dial. Ah, é, seu gordo, hoje você quer jantar bem? Háháhá! Não leve a mal Edão, adoro você, só achei engraçado.

 

P.S.2: Vou guardar uma graninha pra ver se compro um discman pra viajar ouvindo um sonzinho gostoso.

 

P.S.3: Que gostoso, que gostoso, que gostoso, agora vou ter o que fazer no sábado à tarde aqui em Itu, em vez de ficar jogando Paciência!

 

P.S.4: CUNHÉÉÉÉÉ! Queria postar hoje (5/2) meu primeiro post!

 

P.S.5: Falei com o Cão agora. Ele vai tentar comer aquele Noodle japonês. Boa sorte, Cão!



Escrito por Cã às 16h37
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Selfish men

Eu queria mesmo era colocar os nomes deles no título, algo como “Josés”, mas não posso. O engraçado é que me toquei hoje de uma coisa que não havia pensado antes. Conheci na vida dois caras que são, assim, sem ironia, exemplos de individualismo. E não por acaso têm o mesmo nome. Um estudou comigo tempos atrás e me magoou bastante uma vez. O outro, conheci agora, e ainda mais seu lado selfish, no meu trampo. Questões pequenas com esse tal aí, revezamento de almoço, mas que porém fazem a gente parar pra pensar. Feio isso, não ter espírito de cooperação com os colegas. Magoa.



Escrito por Cã às 16h36
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Começou bem...

É, tentei começar hoje mesmo (5/2) o Blog, da casa da minha mãe, mas não deu muito certo. Conexão discada é foda, dá raiva. Mas nem todo mundo tem a grana pro Speedy, né... Bão, vamo lá, de Word mesmo (depois eu posto isso, quando ele estiver pronto). O importante é começar de algum lugar, sinto que tenho que escrever, começar.

 

Viagem de São Paulo pra Itu, passar o feriadão do Carnaval, ver a família, o João. Vim lendo o Bukowski e tendo várias idéias legais, planos, planinhos, principalmente começar a escrever, botar minhas impressões das coisas no papel (ou no computer). O livro (livro?!) vai vindo aos poucos.

 

Tenho lido muito um blog muito legal, o Sem Gelo (http://semgelo.zip.net), da Fernanda D’Umbra, do Cemitério de Automóveis. Ô mulher inspirada! Ó o título: “Sem Gelo – Um blog puro”. Genial. Adoro, todo dia dou uma passadinha lá. E de tanto lê-la fiquei com vontade também escrever.

 

Fiquei pensando no ônibus: “Escrever? Eu?”. Pois sim, Tereza, VO-CÊ, por que não? Você pode até ser uma garota meio, vamos dizer, comum, que leva uma vida comum, trabalha num escritório das 9h (e meia...) às 6h, faz comida, gosta de florzinha, borboleta, colares coloridos, mas também pode ter idéias. Nem sempre geniais, mas idéias que valem a pena serem registradas.

 

É gostoso escrever.



Escrito por Cã às 16h34
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